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Peças no forno

16/03/2015 Gente - Por: Maria Eugênia Lages

Fim de tarde em Santa Tereza. O ceramista Máximo Soalheiro espera os convidados no ateliê onde trabalha há 35 anos para um ritual, o de abrir o forno com sua mais recente produção. São pratos, saladeiras, tigelas, potes e travessas. “Por mais experiência que a gente tenha, o forno sempre traz um tom, uma nuance diferente”, revela. Por quase 18 horas, as peças foram submetidas à temperatura de 1.320 graus para ganhar sua forma definitiva no forno a gás, onde é possível controlar também a quantidade de oxigênio, definindo a cor final do trabalho. Depois, são 48 horas esfriando no forno fechado antes de ver o resultado. Desde que começou, produzindo tijolos, Soalheiro se interessou em pesquisar e descobrir o material que utiliza. Tudo, mas tudo mesmo, é imaginado por ele, da escolha do minério que é transformado em argila à construção do forno onde o trabalho receberá acabamento. O engobe, uma pasta aplicada sobre a peça, garante que a argila não interfira na cor do esmalte. As tintas, com vasta gama de cores, também foram desenvolvidas no ateliê. “Tudo à base de minerais. É só o que resiste a uma temperatura tão alta”, destaca. O artista retira as peças do forno e as expõe. São finas, delicadas, mas também resistentes e pouco porosas. Vêm em nuances de azuis, de marrons, verdes, rosas. Remetem aos barrancos, à terra. São perfeitas para deixar as mesas lindas. Quem não quer?